Os pagamentos instantâneos estão passando por uma expansão sem precedentes em nível mundial, consolidando-se rapidamente como o principal método para transações financeiras. Segundo relatórios recentes, o mercado global desse tipo de pagamento movimentou a impressionante cifra de mais de 800 bilhões de dólares em 2024.
Atualmente, 51 países implementaram sistemas de pagamentos instantâneos, também chamados de A2A (Account to Account) ou RTP (Real Time Payments), que atuam como a espinha dorsal para transferências rápidas e seguras. Brasil — com seu sistema Pix — e Índia — com o UPI — são líderes incontestáveis nessa transformação.
Esses sistemas não apenas promovem agilidade e conveniência, mas também se tornaram uma poderosa ferramenta de inclusão financeira, conectando milhões de pessoas ao sistema bancário formal e revolucionando sua relação com o dinheiro e os serviços financeiros. O Pix superou a marca de 96% de adultos utilizando o sistema, um sucesso impressionante que reflete inclusão financeira e penetração digital para todos, melhorando a vida financeira da população.
Os pagamentos instantâneos oferecem inúmeras vantagens significativas para a inclusão financeira, e seu sucesso depende de diversos elementos cruciais.
Como os pagamentos instantâneos transformam a inclusão financeira
Os sistemas de pagamento instantâneo têm o potencial de transformar a vida de milhões de pessoas que estão fora do sistema financeiro formal ou que dependem principalmente do dinheiro em espécie:
Acesso e conveniência 24/7
Permitem realizar transações a qualquer momento, qualquer dia da semana, inclusive feriados, eliminando a dependência do horário bancário tradicional. Isso é vital para trabalhadores informais e pequenos negócios que precisam de liquidez imediata.
Redução de custos
Ao diminuir a necessidade de manuseio de dinheiro, transporte e infraestrutura física, os pagamentos instantâneos reduzem os custos de transação para usuários e comerciantes, tornando os serviços financeiros mais acessíveis.
Maior segurança
Reduzem riscos associados ao transporte e armazenamento de grandes quantidades de dinheiro vivo, protegendo usuários contra roubos e perdas.
Agilidade e liquidez
O dinheiro é transferido e disponibilizado na conta do destinatário em segundos, melhorando o fluxo de caixa de pessoas e pequenos negócios, facilitando a gestão financeira e possibilitando pagamentos urgentes.
Histórico financeiro e acesso ao crédito
Com o aumento das transações digitais, os usuários passam a construir um histórico financeiro que pode ser utilizado para avaliar sua capacidade de crédito, facilitando o acesso a empréstimos e produtos financeiros formais.
Formalização da economia
Ao incentivar a digitalização das transações, os pagamentos instantâneos contribuem para a formalização da atividade econômica, favorecendo o crescimento econômico e ampliando o acesso a benefícios sociais.
Inovação e novos serviços
A infraestrutura de pagamentos instantâneos serve de base para o desenvolvimento de produtos financeiros inovadores — como microcréditos, seguros digitais e soluções de pagamento para pequenos comerciantes — adaptados às necessidades da população não bancarizada.
Desafios para a expansão dos pagamentos instantâneos
Apesar do notável progresso, a expansão dos pagamentos instantâneos enfrenta desafios significativos que precisam ser superados para maximizar seu potencial de inclusão financeira.
Cibersegurança, fraude e privacidade
O crescimento desse tipo de pagamento exige investimentos robustos em segurança digital para combater novas formas de fraude e proteger a infraestrutura crítica. As implementações bem-sucedidas de Pix no Brasil (+210 milhões de usuários) e UPI na Índia (+1,4 bilhão de pessoas) devem servir também como referência nesse aspecto.
Interoperabilidade
É crucial que o sistema permita que usuários de diferentes instituições financeiras — bancos, fintechs, cooperativas de crédito — enviem e recebam pagamentos entre si sem barreiras, como já acontece no Brasil, Argentina etc.
A ausência de “silos” é fundamental para a inclusão financeira e muitas vezes requer ações regulatórias diretas, como no caso da interoperabilidade entre Yape e Plin no Peru.
Altas tarifas e custos associados
Em iniciativas privadas sem interoperabilidade adequada, tarifas elevadas podem dificultar a adoção. É essencial equilibrar acessibilidade com incentivos para os participantes do sistema.
Usabilidade das aplicações
As aplicações devem ser intuitivas, simples e acessíveis em diferentes dispositivos (smartphones de baixo custo, telefones básicos etc.).
Uma boa experiência do usuário é vital para adoção em larga escala, especialmente entre populações com menor familiaridade tecnológica.
Acesso universal e infraestrutura
Garantir acesso universal envolve desafios como custos de implementação, falta de infraestrutura adequada em algumas regiões (como internet confiável) e fatores socioculturais que podem limitar confiança e participação de determinados grupos.
O papel fundamental do ecossistema fintech
A participação de uma ampla gama de provedores — bancos tradicionais, entidades de pagamento, fintechs e cooperativas — é essencial para maximizar o alcance e a diversidade de serviços.
A indústria fintech na América Latina e no Caribe tem sido um motor chave para a inclusão financeira e o crescimento econômico, facilitando o acesso a serviços financeiros para milhões de pessoas não bancarizadas. Já existem mais de 3.000 startups em 2023 — um aumento de 340% desde 2017.
Com a criação da Câmara Fintech do Panamá, já foram identificadas mais de 90 fintechs oferecendo soluções financeiras que facilitam a vida da população. É essencial que esse ecossistema participe ativamente da revolução dos pagamentos instantâneos.